Blog · Estudos · P05·02

Medi de onde as IAs tiram as fontes que recomendam hotéis — e minha hipótese caiu

A pergunta era simples: quando alguém pede uma pousada à IA, de onde vem a resposta? Rodei 375 respostas de descoberta em cinco destinos, classifiquei 5.516 citações — e o que eu achava que ia encontrar não estava lá.

Resumo
  • Este artigo é a versão comentada. Os dados completos, o dataset publicado e a seção de limitações estão na página canônica: As fontes que as IAs usam para recomendar hotéis no Brasil →
  • Confirmado: as OTAs concentram 33,8% das fontes citadas, e o booking.com é a fonte mais citada em três dos cinco destinos.
  • Confirmado: sete blogs de viagem brasileiros somam 20,7% das citações — mais que o dobro do booking.com isolado.
  • Confirmado: o Reddit, que lidera levantamentos em inglês, aparece 19 vezes aqui — 0,34%.
  • Tendência inicial, não achado: o peso de Instagram, YouTube e Facebook. Afirmar exigiria amostra bem maior.

A correção que veio antes deste texto

Começo pelo que devo contar antes de qualquer número. A versão anterior deste artigo publicava um estudo de outra natureza — uma varredura de sinais técnicos em sites de hotel, com totais de amostra e percentuais por destino. Aquela planilha não existe. Os números não eram recalculáveis, e o próprio site publicava quatro contagens diferentes da mesma amostra, o que por si só já mostrava que nenhuma delas tinha fonte única.

A decisão foi reescrever com o dado que existe, em vez de tirar a peça do ar. O que está abaixo é coleta própria, com o agregado publicado num arquivo que você pode abrir e conferir número por número. Se o texto ficou menos impressionante, é porque a versão impressionante não era verdadeira.

Nota que faço questão de deixar registrada: nenhuma hospedagem é nomeada aqui, nem pra bem nem pra mal. Dois dos cinco destinos foram pilotos de cliente, e nada do material desses clientes — nem as perguntas que nomeiam o hotel, nem as respostas — entra na contagem ou na publicação.

O que eu media, e o que eu esperava achar

A unidade do estudo é a resposta de descoberta: uma execução de uma pergunta do tipo "onde ficar em Ubatuba?" na API da Perplexity. 375 delas, em cinco destinos, com 15 perguntas por destino e 5 execuções cada. De cada resposta eu extraí a lista de fontes que o próprio motor declarou ter consultado — 5.516 citações, 199 domínios distintos.

Minha hipótese, depois dos dois primeiros destinos, era que o Instagram fosse a fonte dominante da recomendação de hospedagem no Brasil. Fazia sentido: nos dois pilotos ele apareceu em primeiro lugar, à frente do Booking. Era um achado bonito, contraintuitivo, e do tipo que rende post. Guardei pra publicar quando tivesse mais destinos.

Com mais destinos, caiu.

Os números, sem maquiagem

Classificando os 199 domínios em quatro blocos, o quadro é este:

Bloco de fonteCitaçõesParticipação
Editorial, blogs e sites próprios3.02854,9%
OTA e metabusca1.86333,8%
Redes sociais e vídeo62211,3%
Mapas e diretórios30,1%

A classificação domínio por domínio está no dataset, de propósito: é a parte mais discutível do estudo e você não precisa recoletar nada pra discordar dela.

O Booking é a maior fonte isolada — e isso não é surpresa

O booking.com aparece 473 vezes (8,6%), e é a fonte mais citada em três dos cinco destinos. Que a maior plataforma de reserva do mundo seja também a maior fonte da recomendação automatizada tem uma explicação chata: é o mesmo acervo de conteúdo — ficha de quarto, foto, review — servindo às duas coisas.

O achado que eu não esperava: os blogs de viagem

Sete blogs de viagem brasileiros nomeados somam 1.144 citações, ou 20,7% do conjunto. Mais que o dobro do booking.com isolado.

DomínioCitaçõesParticipação
dicasdeviagem.com2684,9%
dicasondeficar.com.br1883,4%
queroviajarmais.com1883,4%
voltologo.net1422,6%
melhoresdestinos.com.br1422,6%
guia.melhoresdestinos.com.br1292,3%
depassaportes.com.br871,6%

É o achado com a consequência prática mais direta deste estudo. Se um quinto das fontes que a IA consulta sobre o seu destino são blogs de viagem brasileiros, relação com blog de viagem é canal de aquisição — não é assessoria de imprensa decorativa nem "mídia espontânea". E é um canal onde hotel pequeno consegue entrar, porque a moeda é pauta boa, não verba.

O Reddit não se transporta do inglês

Levantamentos equivalentes em inglês colocam o Reddit como o domínio mais citado. Aqui ele aparece 19 vezes no conjunto inteiro — 0,34%. A conclusão que eu sustento é estreita: não dá pra transportar achado de fonte medido em inglês pra consulta em português sobre destino brasileiro. Por que a diferença existe, eu não sei — não tenho dado pra separar idioma de destino de volume de conteúdo.

A hipótese que caiu, e por que eu publico isso

Volto ao Instagram. O Instagram liderou apenas nos dois destinos piloto e não manteve o mesmo comportamento nas coletas posteriores. Com os dados atuais, ainda não é possível afirmar se a diferença decorre do destino ou da evolução do modelo entre as semanas de coleta.

DestinoSemanaFonte mais citadaPosição do instagram.com
Ilhabela (SP)24instagram.com
São Bento do Sapucaí (SP)24instagram.com
Ubatuba (SP)32booking.com
Caraguatatuba (SP)32booking.com10º
São Sebastião (SP)32booking.com14º

Repare no problema do desenho: os dois destinos onde o Instagram lidera são exatamente os dois coletados na semana 24. Os três onde o Booking lidera são os três da semana 32. Destino e semana de coleta estão confundidos, e com esta amostra não há como separá-los. Pode ser característica do destino, pode ser o modelo tendo mudado entre junho e agosto. As duas explicações continuam de pé.

Publico isso porque é o resultado mais útil que eu tenho. Se eu tivesse parado nos dois pilotos, teria escrito um post afirmando que o Instagram é a fonte que decide recomendação de hospedagem no Brasil — com dado real, coleta real, e conclusão errada. O que salvou não foi cuidado: foi ter coletado mais três destinos antes de publicar.

Um desenho de pesquisa que não consegue desmentir quem o desenhou não está medindo nada.

Por isso Instagram, YouTube, Facebook e Google Maps entram aqui rotulados como tendência inicial, não como achado. Tratar aquele bloco como resultado exigiria algo na ordem de 20 destinos e 1.500 respostas de descoberta, todos coletados na mesma janela.

O achado central: a recomendação é montada com fonte de terceiro

Junte as duas pontas.

Do lado da demanda: segundo a Booking.com (pesquisa de 2025), 63% dos brasileiros já usaram IA pra planejar ou durante viagens. A conversa que antes começava numa busca do Google com dez links azuis agora começa, pra maioria, num campo de chat que devolve três a cinco nomes prontos.

Do lado da oferta: a PhocusWire reporta que só cerca de 16% da oferta hoteleira global aparece nas respostas de IA. O meu estudo não explica esse número — ele mostra outra coisa, do lado das fontes. Some os blocos que por definição não são o site do hotel: OTA e metabusca (33,8%), redes sociais e vídeo (11,3%) e os sete blogs de viagem (20,7%). Só nisso já vai a maior parte das citações.

Esse é o achado central: a recomendação de hospedagem por IA é montada, na maior parte, com material que outra pessoa publicou sobre você. Otimizar o próprio site continua valendo — é a única superfície que você controla por inteiro — mas é a fatia menor do que a máquina lê.

Uma lacuna que declaro aqui em vez de esconder: eu não separei, dentro do bloco editorial, o que é site próprio de hospedagem do que é blog ou portal. O bloco é residual por construção — é tudo que não é OTA, rede social ou mapa. Então não consigo dizer com precisão qual fatia das citações é de site de hotel. Dá pra fazer, e é a primeira coisa que eu acrescentaria na próxima edição.

Agora, o motivo de eu enxergar isso como janela e não como tragédia. Dois estudos externos dimensionam o prêmio de quem atravessa primeiro:

Traduzo pro contexto do estudo: implementar bem os fundamentos do próprio site é barato e continua valendo, mas é a metade menor do trabalho. A outra metade é aparecer nas fontes que a máquina consulta — e essa parte não se resolve com código no seu domínio.

Metodologia — e onde ela para

Estudo sério declara os próprios limites. Aqui vão os meus, resumidos; a versão completa fica na página canônica.

O que foi feito

O que isso NÃO prova

O que eu faria com esses dados se operasse um hotel

Em ordem, sem pular etapas:

  1. Conferir onde você aparece nas fontes que a IA consulta. Comece pelas quatro maiores do seu destino no dataset. Sua ficha no booking.com e no tripadvisor está completa, com foto e descrição decente? Isso não é vaidade de OTA — é material que alimenta a recomendação.
  2. Tratar blog de viagem brasileiro como canal, não como sorte. É o achado com melhor relação esforço/retorno deste estudo: um quinto das citações. Pauta boa, dado concreto e acesso ao lugar valem mais que verba aqui.
  3. Não abandonar o próprio site. É a única superfície que você controla inteira, e a mais barata de arrumar. O score gratuito lê os 22 sinais técnicos do seu domínio — instrumento diferente deste estudo, e complementar a ele.
  4. Medir de novo depois de mexer. Uma foto não mostra movimento. O valor está em repetir a coleta e comparar.

Nenhum desses quatro passos exige contratar ninguém — nem a mim. O que a Arsenal oferece é velocidade e profundidade: a Auditoria de Presença em IA (R$ 297) entrega a leitura completa dos 22 sinais do seu site com plano de correção priorizado, e a escada segue dali pra quem quiser ir além.

Onde o seu site está nesse retrato?

Este estudo mede as fontes de um destino. O score gratuito mede outra coisa: os 22 sinais técnicos do seu próprio site, em minutos. Ele não consulta IA nenhuma sobre o seu hotel — e é justamente por isso que os dois instrumentos se somam.

Calcular meu score grátis →

Este post é o resumo; a peça completa, com metodologia, limitações e o dado agregado para baixar, está em a página do estudo de fontes citadas por IA. E o contexto de por que uma consultoria de GEO publica o próprio dataset está em a apresentação do Arsenal Hospitality.

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